 |
Um dia Salesiano
| O Amanhecer |
A Escola Salesiana está mergulhada no silêncio e na penumbra da madrugada. Ouve-se, ao longe, o ruído dos carros e dos comboios que passam na Marginal. |
|
| 07:15h |
O dia começa a clarear. Abrem-se os portões. Lentos, vão chegando os primeiros alunos; vagueiam perdidos pelos campos ou sentam-se, ensonados, nas bancadas dos pátios solitários, a olhar o infinito à espera de outros colegas que, prestes, hão-de vir. |
|
| 07:30h |
Chegam os auxiliares da acção educativa. Abrem-se as portas, acendem-se as luzes, correm-se as cortinas. O pavilhão das aulas começa a ganhar vida. |
|
| 07:45h |
O fluxo de alunos vai aumentando; chegam os primeiros professores.
O bar que, entretanto, abriu vai-se enchendo de alunos, de funcionários e de professores que se saúdam familiarmente. Enquanto se conversa ou se vai olhando para o televisor onde passam as fotografias dos aniversariantes do dia, toma-se um sumo, bebe-se um café, come-se um bolo, uma sande...
Nos pátios desentorpecem-se as pernas, ensaiam-se corridas, dão-se os primeiros pontapés na bola, ouvem-se as primeiras gargalhadas... |
|
| 08:00h |
Pelas portarias, magotes de alunos entram, apressados, de pastas às costas ou de livros debaixo do braço, em conversas rápidas e de ocasião. As bancadas enchem-se de alunos, os pátios ficam regorgitantes de grupos que conversam sobre o teste que se vai fazer, sobre o jogo de futebol que na véspera foi transmitido pela TV, ou sobre a festa de anos em que se participou, enquanto outros vão jogando despreocupados... |
|
| 08:15h |
Pontual, soa o primeiro toque da campainha. Pega-se nas mochilas, terminam-se as conversas e, em passo apressado, 1400 alunos dirigem-se para os pavilhões das aulas. No televisor do átrio de entrada, há ainda tempo, para os que não passaram pelo bar, de lerem o pensamento do dia, verem as fotografias dos colegas e professores aniversariantes, conhecerem as novidades escolares. |
|
| 08:20h |
Já nas salas de aula, professores e alunos saúdam-se e recolhem-se num pequeno momento de reflexão e de oração, a pedirem a Deus, à Virgem e a D. Bosco, a protecção para o dia de estudo. É o momento do "Bom-Dia".
Depois é o abrir das mochilas e o recolher das cadernetas, os livros e os cadernos que se colocam em cima da mesa, os sumários que se escrevem... É o início de um dia de trabalho.
Fora, o silêncio, só interrompido por algum aluno que, atrasado corre para as aulas. Dentro de cada sala o trabalho empenhado de alunos e de professores: e há matéria nova a ser aprendida e há testes e há chamadas e há trabalhos de grupo e há investigação e há leitura e há estudo... |
|
| 09:55h |
A campainha convida para o intervalo da manhã. As aulas esvaziam-se rapidamente. E enquanto uns correm para o bar que se enche de alunos que tomam, apressados, o seu pequeno almoço, outros "voam" para os campos à procura de uma tabela de basquetebol, de uma rede de voleibol ou de uma baliza de futebol. Os grupos nascem, rápido, e desafiam-se; as bolas de futebol, de basquetebol e de voleibol saltam de todos os lados enquanto outros alunos, em grupos, comentam o teste que se fez, a chamada que vai ser feita, o TPC que não se apresentou, a falta de material que se teve, a festa de anos que se vai realizar, a revisão da matéria da disciplina que se vai ter... o ultimar do trabalho de casa que não foi feito...
São vinte minutos muito apetecidos, muito conversados, muito aproveitados, mas... inacreditavelmente vertiginosos! |
|
| 10:15h |
O fim do intervalo. Daí a cinco minutos, ao segundo toque, novamente a sala de aula, o professor, a carteira, os livros, o trabalho responsável de professores e de alunos.
Fora, novamente o silêncio entrecortado pelo canto das gaivotas que, em bandos, ora em voos planados perscrutando alimento, ora em voos picados, limpam algum resto de comida abandonado pelos alunos. |
|
| 12:40h/12:50h |
O toque para o almoço. O apetite apressa os passos, - menos do que o desejado dada a presença dos senhores vigilantes no corredor... - os degraus descem-se a dois e dois preparando a corrida que encurta o espaço que separa o pavilhão das aulas da cantina que, célere, se enche de alunos.
De tabuleiros nas mãos, recebe-se a comida fumegante e apetitosa, escolhem-se as mesas, convidam-se os colegas... É tempo de refazer energias, de consolidar amizades, de saborear, num espaço agradável, uma refeição sempre desejada, porque bem confeccionada, mas também sempre rápida, porque há jogos, há encontros, há amigos que "é impossível" fazer esperar... |
|
| O Recreio |
Os pavilhões, as bancadas e os campos de voleibol, de basquetebol e de futebol enchem-se de vida e de alarido com os jogos inter-turmas. As claques aplaudem, vibram com as jogadas, gritam palavras de ordem. Há exclamações, há palmas, há abraços, há risos e há, por vezes, rostos fechados, e até lágrimas, perante jogadas falhadas, desafios perdidos.
Mas há tempo, também, para outros jogos e actividades: há o hóquei em patins, o ping-pong, o snooker, os matraquilhos, o ténis, a dança, a música, o gameboy, a leitura, a conversa, o descanso, enfim, a amizade, muita amizade num ambiente despreocupado e sereno.
E há tempo, também, para sozinho ou em grupo, se entrar na capela e se fazer um pouco de silêncio e de oração. |
|
| 14:15h |
O fim de uma hora e quarenta minutos de movimento, de suor, de libertação de energias. Desfazem-se os grupos, dão-se os últimos chutos, lavam-se as mãos, limpa-se o suor e... de novo o encaminhar-se, sereno, para as salas de aula... Depois, novamente os livros, o quadro-preto, os trabalhos de grupo, as chamadas, os testes... |
|
| 15:50h |
É o fim da 6.ª aula. O cansaço já se vai fazendo sentir... O intervalo serve para retomar as energias necessárias para mais uma, duas horas de aula. Algumas turmas, conforme o horário, até já vão terminando o seu dia lectivo. O movimento e o ruído vão diminuindo... |
|
| 16:00h |
O toque para o regresso às salas para o último bloco de aulas, ou então para a catequese, para os alunos que livremente se inscreveram. Mas... os minutos esgotam-se rápido. Professores e alunos ultimam as matérias, marcam-se os TPC, fazem-se as últimas recomendações. |
|
| 16:50h/17:35h |
A campainha anuncia a alunos e professores que o dia lectivo chega ao fim. Arrumam-se os livros, fecham-se as pastas, recolhem-se os livros de ponto.
Professores e alunos despedem-se, abandonam as salas, atravessam os pátios, apressados, porque... os comboios são à tabela... ou os pais os esperam na Marginal...
Pelas salas vazias os senhores auxiliares da acção educativa dão uma última volta, recolhem as roupas e os objectos esquecidos, apagam as luzes, fecham as portas...
A Escola vai-se esvaziando e vai regressando ao silêncio. Perdidos, nos pátios enormes, alguns alunos vão-se divertindo, solitários, enquanto esperam, cansados, a chegada dos pais... |
|
| O Anoitecer - 19:00h |
Pelos portões saem os últimos alunos. O sol agoniza. A temperatura arrefece. Sobre a Escola cai um manto de silêncio e de quietude.
Ao longe, volta-se a ouvir o ruído dos carros e dos comboios que passam na Marginal. |
|
Fica a saudade de um dia cheio de sons, de cor, de movimento, de juventude...
|
|
 |
|